Presidente da CTP alerta para impacto da instabilidade política no setor do turismo

Presidente da CTP alerta para impacto da instabilidade política no setor do turismo

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), manifestou preocupação com o impacto da atual instabilidade política nas decisões estruturais para o setor, embora tenha garantido que o turismo continuará a funcionar normalmente.

"Ninguém vai deixar de marcar as férias em Portugal porque há eleições", afirmou o presidente da CTP, em declarações ao Jornal Económico, à margem da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).

O líder da confederação sublinhou que Portugal não pode realizar eleições legislativas em três anos consecutivos, alertando para as consequências nas decisões estruturais: "A privatização da TAP, as obras no aeroporto, o novo aeroporto, a ferrovia, pára tudo. Não ganhamos nada com isto".

Em relação ao panorama eleitoral, Francisco Calheiros manifestou ceticismo quanto à possibilidade de um partido vencer com maioria absoluta, tendo em conta as sondagens divulgadas pela comunicação social. "Portanto, é uma crise que dispensávamos", salientou, acrescentando que "o ideal seria o cenário de eleições não ter sido criado".

O presidente da CTP recordou que o atual Governo "caiu dois dias antes de fazer um ano", contrariando as perspetivas de estabilidade que tinha vaticinado anteriormente. "Quando ganhou o PS com maioria absoluta, disse que estava contente com o resultado, porque tinha um partido com maioria, não era preciso fazer geringonças, porque isso não é bom para as empresas, e dava estabilidade. Veio outro Governo e pensei que tínhamos aprendido e íamos deixar este Governo governar, mas vem uma moção de confiança e, em menos de um ano, cai", lamentou.

Relativamente ao cenário pós-eleitoral, Francisco Calheiros não antevê melhorias independentemente do vencedor. "Eu trabalho com todos os governos e com todos os partidos. As sondagens dizem que não há nenhum partido com maioria absoluta, mas vamos a dois cenários: ganha Pedro Nuno Santos, a direita tem mais votos que a esquerda. Não temos governo. Ganha Luís Montenegro, mas se acontecer o mesmo que aconteceu há um ano, que é a direita toda não se unir, ficamos na mesma", concluiu.

Fonte: Jornal Económico

28 Março 2025